Você não precisa ser perfeito para ser feliz

Viver Para Vencer – Edição #011

Há uma armadilha silenciosa na nossa vida. Você não percebe, mas ela é muito presente, ainda mais nos tempos modernos. É a busca pela perfeição.

Estamos o tempo todo tentando ser melhores. Mais produtivos, mais bonitos, mais inteligentes, mais bem-sucedidos. Achamos que, se formos perfeitos, finalmente vamos nos sentir bem com quem somos. Mas será que isso funciona mesmo?

No livro "A Armadilha da Perfeição", o psicólogo britânico Thomas Curran mostra como esse desejo de perfeição está nos fazendo mais mal do que bem.

Ele traz dados, histórias e reflexões que nos ajudam a entender por que estamos tão cansados, inseguros e ansiosos, mesmo quando tudo “parece dar certo”.

Vamos conversar sobre isso?

A epidemia invisível da perfeição

Thomas Curran estudou o comportamento de milhares de jovens ao redor do mundo. E o que ele descobriu é preocupante: o perfeccionismo está aumentando em ritmo acelerado. Não estamos apenas querendo melhorar — estamos nos exigindo mais do que nunca.

Esse novo tipo de perfeccionismo é alimentado por uma cultura que valoriza o desempenho acima de tudo. Desde cedo, aprendemos que só vale a pena se for excelente. Só merece destaque quem é o melhor. Só tem valor quem brilha.

O problema é que, quando erramos (e uma hora vamos errar), nos sentimos fracassados. É como se o mundo dissesse: “Você não está à altura”. Isso tem nome: perfeccionismo socialmente prescrito — a sensação de que os outros esperam que sejamos impecáveis o tempo inteiro.

E ninguém aguenta viver assim por muito tempo.

Redes sociais: a vitrine da vida perfeita

Você já se comparou com alguém no Instagram?

Já se sentiu “menos” por ver alguém aparentemente feliz, rico, em forma e bem-sucedido?

Não se preocupe — você não está sozinho.

Curran nos mostra como as redes sociais são um acelerador de perfeccionismo. Vivemos expostos a imagens de sucesso, beleza, produtividade e felicidade constante. Mas o que esquecemos é que aquilo é uma vitrine — e ninguém mostra o que está quebrado nos bastidores.

Com isso, passamos a medir nosso valor pelas curtidas, comentários e validação dos outros. Criamos uma persona que precisa estar sempre bem, sempre forte, sempre no controle.

E o pior: começamos a acreditar que todo mundo está indo bem — menos a gente.

A eterna busca por aprovação

Um dos pontos mais poderosos do livro é este: o perfeccionismo não é apenas querer fazer o melhor.

É sentir que só temos valor se formos perfeitos.

Isso nos aprisiona. Passamos a depender da opinião dos outros para saber se estamos “certos”. Queremos elogios, reconhecimento, notas altas, aplausos. E quando tudo isso não vem? Aí, no lugar, vem a frustração. A autocrítica. A sensação de não ser suficiente.

É como correr numa esteira que nunca para. Você pode até correr mais rápido, mas o chão vai continuar se movendo. Sempre vai faltar alguma coisa.

Curran chama atenção para o fato de que isso não é um problema individual. É coletivo. Nossa cultura nos ensinou que só temos valor se estivermos sempre nos destacando.

Mas e quando tudo isso cansa?

Perfeccionismo adoece

Curran traz dados alarmantes: pessoas com altos níveis de perfeccionismo estão mais propensas a desenvolver ansiedade, depressão, burnout e até pensamentos suicidas.

A lógica é simples: quem se cobra demais vive com medo de errar. E quem vive com medo muitas vezes evita agir. Ou age de forma travada, insegura, em alerta constante.

Além disso, o perfeccionismo afeta nossos relacionamentos. Pessoas perfeccionistas podem ser duras consigo mesmas — e com os outros. Podem ter dificuldade em confiar, em se abrir, em mostrar vulnerabilidades.

O resultado é um isolamento emocional. Uma vida em que se tenta parecer forte o tempo todo — mesmo quando tudo por dentro está desmoronando.

Como sair dessa armadilha?

Curran não está dizendo que devemos parar de tentar melhorar. O que ele propõe é uma mudança na forma como vemos o progresso.

Em vez de buscar perfeição, podemos buscar crescimento real, com espaço para errar, ajustar e aprender. Em vez de competir com os outros, podemos nos comparar com quem éramos ontem. Aliás, isso é muito melhor.

E mais: podemos nos permitir descansar, respirar, viver.

Isso começa com pequenas atitudes:

  • Praticar a autocompaixão, reconhecendo que todos têm dias bons e ruins;

  • Redefinir sucesso, olhando para aquilo que realmente importa — não só metas externas;

  • Aceitar a vulnerabilidade, entendendo que mostrar fraquezas também é uma forma de coragem;

  • Desconectar das comparações, lembrando que cada um tem um ritmo, uma história, um tempo.

Curran vai mais além e defende mudanças coletivas. Para o autor, precisamos de escolas, empresas e ambientes sociais que deixem de valorizar apenas desempenho. E passem a valorizar pessoas reais, com limites, dúvidas e humanidade.

E agora?

O mundo não vai parar de exigir resultados. Mas você pode parar de se exigir o tempo todo.

Você pode sair dessa armadilha. Pode aceitar que não vai ser perfeito — e que isso não faz de você uma pessoa menos digna de amor, respeito ou reconhecimento.

Aliás, é justamente aí que você começa a viver de verdade.

Porque, no fim das contas, ser perfeito não é o que nos faz felizes.

O que nos faz felizes é sermos inteiros — com nossas falhas, aprendizados e imperfeições.

Então, da próxima vez que a voz da cobrança aparecer, lembre-se: você não precisa ser impecável.

Você só precisa ser você.

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Um abraço e até o nosso próximo encontro.

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