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Você não está preso em quem é: o que a ciência diz sobre mudar sua personalidade
Viver Para Vencer – Edição #008
Até que ponto podemos mudar a nossa personalidade? Muita gente acredita que personalidade é algo fixo: “Sou deste jeito e ponto”. Mas e se não for bem assim? E se, com as ferramentas certas, for possível se tornar mais calmo, mais confiante, mais disciplinado?
É o que o neurocientista Christian Jarrett defende no livro Seja Quem Você Quiser.
Com base em pesquisas científicas, ele mostra que a personalidade pode mudar —até mesmo os traços considerados “difíceis”. E o melhor: de forma prática e sustentável.
A personalidade não é uma sentença de prisão

Você já deve ter ouvido — ou até dito — coisas como:
“Eu sou assim mesmo, não tem jeito.”
“Ele sempre foi explosivo, não vai mudar agora.”
Ou ainda: “Tem gente que nasce organizada, e tem gente como eu.”
Durante muito tempo, acreditou-se que a personalidade era um conjunto fixo de traços, quase como a cor dos olhos ou o tipo sanguíneo. Era o que a ciência chamava de “teoria da estabilidade”: a ideia de que, depois de certa idade, a pessoa simplesmente não muda mais.
Mas pesquisas mais recentes em psicologia e neurociência — muitas delas reunidas por Christian Jarrett — mostram um cenário bem diferente: a personalidade é moldável. E mais do que isso: ela pode ser intencionalmente alterada com esforço, estratégia e consistência.
Claro, não estamos falando de virar outra pessoa da noite para o dia. Nem de mudar traços profundos como se troca de roupa. O que o autor propõe é algo mais sutil e poderoso:
→ Você pode, sim, ir ajustando seus traços de personalidade com o tempo.
→ Pode se tornar mais extrovertido, mais aberto a novas experiências, mais concentrado, mais calmo.
→ E isso pode ter impacto direto em sua vida pessoal, profissional, emocional e até física.
Jarrett destaca estudos de longo prazo que acompanharam milhares de pessoas ao longo de décadas. E o que esses dados mostram?
Mostram que a personalidade muda naturalmente ao longo da vida — mesmo sem esforço consciente. Por exemplo: muitas pessoas se tornam mais maduras (isto é, mais responsáveis e disciplinadas) com a chegada da vida adulta. Outras ficam menos preocupadas com o tempo, lidando melhor com o estresse.
Mas a grande revelação é esta:
🔍 Mudanças também podem acontecer quando você decide mudar.
Quando você define o que quer transformar em si mesmo — e age com foco e repetição —, seu cérebro passa a se reorganizar para acompanhar esse novo jeito de ser.
É aí que entra o conceito da neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se reconfigurar de acordo com as experiências vividas.
Ou seja, você não é uma estátua de mármore esculpida uma vez e pronto. Você é mais como uma peça de argila: tem forma, tem traços fortes, mas pode ser suavemente moldada ao longo do tempo.
E isso não é só libertador: é também responsabilizador. Porque, se você pode mudar, então precisa olhar para seus padrões e perguntar: quais desses traços ainda fazem sentido? Quais estão me atrapalhando?
Jarrett resume isso com uma metáfora simples:
“A personalidade é como uma trilha na floresta. Você pode abrir novos caminhos. No começo será difícil, cheio de galhos. Mas, quanto mais você percorre, mais aquela trilha se firma. E a antiga vai sendo coberta pela vegetação.”
Essa imagem diz muito. Mudar a forma como você reage, age e pensa exige esforço inicial. Mas, com o tempo, o novo caminho se torna mais natural — e o antigo perde força.
Portanto, se você cresceu acreditando que “nasceu assim”, está na hora de rever essa ideia. Você não está preso ao seu jeito de ser. Você só precisa decidir quem quer ser — e começar a caminhar nessa direção.
Comece com clareza: quem você quer ser?

Antes de mudar qualquer coisa, é preciso saber para onde você quer ir. Parece óbvio, mas a verdade é que muita gente começa tentando se transformar sem ter uma ideia clara do que deseja de fato.
Christian Jarrett insiste nesse ponto: a mudança de personalidade precisa começar com intenção e direção. É comum ouvirmos frases vagas como:
“Quero ser uma pessoa melhor.”
“Quero mudar meu jeito.”
Mas o que isso significa na prática?
O autor propõe um exercício simples e revelador:
📌 Pergunte a si mesmo:
— Que traço da minha personalidade mais me atrapalha hoje?
— Quem eu admiro — e por quê?
— Que versão de mim mesmo me faria ter orgulho daqui a cinco anos?
Essas perguntas ajudam a traduzir desejos genéricos em objetivos específicos e tangíveis. Por exemplo:
→ Em vez de dizer “quero ser melhor”, diga: “quero ser mais paciente com meus colegas de trabalho”.
→ Em vez de dizer “quero ter mais foco”, diga: “quero manter a disciplina para terminar o que começo, mesmo quando estou desmotivado”.
→ Em vez de dizer “quero ser mais sociável”, diga: “quero poder iniciar uma conversa em eventos e manter o contato com amigos sem me sentir forçado”.
Essa clareza é essencial, por um motivo simples: não dá para mudar o que você não consegue nomear.
Jarrett também propõe algo curioso: pense em sua personalidade como uma história em construção. Sim, você não é um personagem com roteiro fixo. Você é o autor. Pode revisar, reescrever, mudar o tom e até trocar os protagonistas internos.
Um exercício prático sugerido no livro é a visualização construtiva:
→ Imagine uma situação em que normalmente você agiria de maneira que quer mudar.
→ Agora imagine a nova versão de você — a que está em construção — agindo diferente.
→ Visualize os detalhes: o ambiente, sua postura, sua fala, as sensações envolvidas.
→ Por fim, reflita: o que seria necessário para que essa nova resposta se torne realidade?
Esse tipo de visualização não é fantasia. É preparação mental. Ajuda a reforçar a identidade desejada, tornando-a mais concreta e acessível no dia a dia.
Outro ponto importante que Jarrett levanta: a personalidade não é um conjunto de rótulos prontos.
Você pode ser alguém mais extrovertido no trabalho, mais introspectivo em casa, mais disciplinado com os estudos e mais relaxado com os amigos.
A ideia não é virar um robô ideal, mas sim alinhar seus comportamentos com aquilo que você valoriza e deseja.
Ou seja, ser coerente com quem você quer ser — e não apenas reagir no piloto automático.
E aqui vai uma dica valiosa do livro:
🧭 Não tente mudar tudo ao mesmo tempo. Escolha um traço. Um comportamento. Uma direção. Comece pequeno, mas com foco.
Como diz Jarret, “não se trata de trocar quem você é, mas de ajustar a rota para chegar mais perto da sua melhor versão”.
A mudança acontece no comportamento, não na cabeça

Muita gente acredita que só vai conseguir mudar quando "se sentir pronto".
Mas o que Christian Jarrett mostra com clareza é que esperar o sentimento certo pode ser uma armadilha. Porque ele talvez nunca venha. Ou, se vier, será passageiro.
A verdadeira transformação, segundo a ciência da personalidade, começa pela ação — mesmo antes de você se sentir diferente.
Pode parecer contraintuitivo, mas pense assim:
→ Se você quer ser mais extrovertido, não espere se sentir extrovertido. Comece puxando assunto com alguém no elevador, mesmo sentindo desconforto.
→ Se quer ser mais disciplinado, não espere acordar motivado. Comece a executar tarefas mesmo sem vontade.
→ Se quer se tornar mais confiante, não espere se livrar da insegurança. Enfrente uma situação desafiadora mesmo tremendo por dentro.
Jarrett explica que esse processo é sustentado por um conceito poderoso da neurociência: a neuroplasticidade.
Nosso cérebro está constantemente se adaptando às experiências. Cada vez que você age de uma forma nova, está criando uma conexão neural diferente — e reforçando um novo padrão de comportamento.
Com o tempo, aquilo que parecia estranho ou forçado vai se tornando parte natural de quem você é.
É como usar um sapato novo. No começo, aperta, incomoda, dá vontade de tirar. Mas, aos poucos, ele se ajusta ao seu pé — ou melhor, o seu pé se ajusta a ele.
Mudar a personalidade é meio assim. O desconforto inicial não é sinal de fracasso, mas parte do processo de adaptação.
E aqui entra um conceito interessante do livro: o "efeito de autoatribuição". Isso significa que, ao se comportar de certa maneira repetidamente, você começa a acreditar que é esse tipo de pessoa.
Se você age com coragem, o cérebro entende: "sou corajoso". Se você age com calma, mesmo sob pressão, começa a se ver como alguém equilibrado. A ação vem antes da identidade. A identidade se fortalece com a repetição.
Jarrett também fala sobre o papel dos microcomportamentos.
Você não precisa fazer grandes mudanças para começar a se transformar. Pequenos gestos diários — como sorrir mais, manter a postura ereta, terminar o que começou — têm um poder imenso ao longo do tempo.
Essas pequenas escolhas, feitas com intenção, funcionam como tijolos que constroem a nova versão de você mesmo.
Por fim, o autor alerta para um erro comum: tentar mudar só na teoria. Ler sobre mudança, fazer planos, consumir conteúdo motivacional, tudo isso é bom. Mas nada substitui a prática.
A transformação acontece na segunda-feira difícil, no dia em que você não tem energia e, mesmo assim, decide agir. Porque é aí que o cérebro registra: “Isso é sério”. E começa, de fato, a mudar.
Mudança exige paciência — mas vale o esforço

No mundo das redes sociais, onde tudo parece rápido e instantâneo, é comum achar que a transformação pessoal também deveria ser fácil. Um vídeo de motivação, um livro de autoajuda, um curso online. E pronto: nova versão desbloqueada.
Só que, como Christian Jarrett deixa claro em Seja Quem Você Quiser, mudar de verdade é um processo lento, gradual — mas totalmente possível.
Ele compara a mudança de personalidade a algo como cultivar um jardim. Você não joga a semente hoje e colhe amanhã. É preciso regar, cuidar, limpar as pragas, esperar o tempo certo. E, claro, lidar com períodos em que nada parece estar acontecendo. Mas quem tem paciência colhe os frutos.
📉 Um dos maiores erros, segundo Jarrett, é acreditar que, só porque você ainda não se sente diferente, nada está mudando.
Na verdade, a ciência mostra que, mesmo quando você não nota grandes transformações há ajustes acontecendo dentro de você, no comportamento, nas emoções e até nas conexões cerebrais.
Muitos estudos analisados no livro mostram que mudanças significativas em traços de personalidade (como extroversão, estabilidade emocional ou responsabilidade) podem levar meses ou até anos. Mas essas mudanças são reais, e têm efeitos duradouros.
E aqui entra um ponto importante: a mudança de personalidade é uma maratona, não uma corrida de 100 metros.
Você vai tropeçar. Vai ter dias de recaída. Vai pensar em desistir. Mas isso não significa que está dando errado. Jarrett insiste: recaídas são parte natural do processo. O que importa é voltar à trilha sempre que possível.
Uma boa estratégia sugerida no livro é manter um registro de progresso. Você pode usar um caderno, um aplicativo ou até uma nota no celular. Nesse registro, anote pequenas vitórias:
→ Um momento em que você reagiu com mais calma;
→ Uma vez em que enfrentou uma situação que normalmente evitaria;
→ Uma tarefa concluída mesmo sem motivação.
Esses registros funcionam como uma espécie de “evidência pessoal” de que a mudança está acontecendo — mesmo que lentamente. E ajudam a manter a motivação quando a empolgação inicial passa (porque ela passa, sempre passa).
Além disso, Jarrett lembra que a recompensa é grande. Estudos mostram que pessoas que conseguem ajustar certos traços da personalidade — como se tornarem mais abertas, mais focadas ou menos ansiosas — têm benefícios reais na vida:
✔️ Melhor qualidade nos relacionamentos;
✔️ Mais satisfação com a vida;
✔️ Menos estresse e sintomas físicos;
✔️ Melhor desempenho no trabalho;
✔️ Mais sensação de controle e realização.
Em outras palavras: vale a pena.
No fundo, mudar é uma forma de assumir o protagonismo da própria história. É sair do papel de quem reage ao mundo e passar a ocupar o lugar de quem constrói — aos poucos, dia após dia — a própria versão futura.
Você não precisa se reinventar sozinho

Existe uma ideia muito difundida no discurso do desenvolvimento pessoal: a de que você precisa mudar por conta própria, com base na sua força da vontade, sem depender de ninguém.
Mas Christian Jarrett desmonta essa noção. Ele mostra que, apesar de a transformação ser um processo interno, o ambiente e as pessoas à sua volta têm um papel essencial na jornada.
Pense bem: é difícil tentar mudar quando tudo ao seu redor reforça a antiga versão de você mesmo. Por exemplo:
→ Se você está tentando se tornar mais positivo, mas convive diariamente com pessoas negativas e críticas;
→ Se quer ser mais disciplinado, mas sua rotina é caótica e sem estrutura;
→ Se quer se sentir mais confiante, mas só escuta que “você sempre foi assim, tímido mesmo”.
Nesse cenário, mudar é como nadar contra a corrente. Por isso, Jarrett destaca: um dos maiores aliados na mudança de personalidade é o contexto. Isso inclui os relacionamentos, os hábitos, os espaços físicos, as mensagens que você consome e até o seu próprio vocabulário interno.
Uma dica poderosa do livro é começar a ajustar o ambiente para que ele apoie a nova versão que você deseja construir.
Quer se tornar mais concentrado? Elimine distrações visuais do seu espaço de trabalho.
Quer ser mais ativo fisicamente? Deixe a roupa de treino visível, perto da porta.
Quer ser mais sociável? Agende compromissos com pessoas diferentes e esteja aberto a convites.
Essas mudanças pequenas, mas intencionais, funcionam como “gatilhos” que reforçam o novo comportamento.
Outro ponto importante: você pode — e deve — buscar apoio.
Muitas vezes, compartilhar com alguém de confiança o que você está tentando mudar já é um passo enorme. Essa pessoa pode lembrar você dos seus objetivos, encorajar quando bater a dúvida e até celebrar com você as suas pequenas conquistas.
Jarrett também fala sobre o “efeito espelho”: quando convivemos com pessoas que já têm os traços que queremos desenvolver, nós tendemos a imitá-las, ainda que de forma inconsciente.
Ou seja, se você quer ser mais calmo, procure observar como pessoas tranquilas se comportam. Se quer mais coragem, se aproxime de gente que encara desafios sem drama. A convivência com esses exemplos vivos acelera o processo de transformação.
Por fim, o autor lembra que a linguagem importa. Sendo assim, comece a se referir a si mesmo de forma coerente com a nova versão que está construindo.
Em vez de dizer “eu sou ansioso mesmo”, diga “estou trabalhando para me tornar mais tranquilo”. Essa pequena mudança de narrativa reforça sua identidade em evolução.
Você não precisa virar outra pessoa para mudar. Mas também não precisa fazer tudo sozinho. Mudar é um projeto pessoal, sim — mas que ganha força quando é nutrido em comunidade, em ambientes férteis e com apoio emocional.
E agora?
Depois de tudo isso, talvez você esteja se perguntando: por onde eu começo? A resposta é mais simples do que parece: você começa aqui e agora, com clareza, intenção e um pequeno passo.
A grande lição de Seja Quem Você Quiser é que você não está preso ao seu jeito de ser. A personalidade não é uma sentença, é uma jornada. E, ainda que existam traços mais resistentes ou desafiadores, a ciência mostra que todos nós temos uma capacidade real de mudar — desde que estejamos dispostos a agir.
Você não precisa se reinventar por completo. Mas pode, sim, lapidar seu jeito de pensar, reagir, se comportar. Pode construir um novo caminho, um passo de cada vez, mesmo que às vezes ele pareça estreito ou desconhecido.
Lembre-se:
✔️ A mudança começa pela ação, não pela inspiração.
✔️ Clareza e paciência são suas aliadas.
✔️ Pequenos avanços somados viram transformação.
✔️ Você pode contar com o apoio de pessoas, ambientes e rotinas que reforcem quem você quer se tornar.
E o mais importante: você não precisa esperar se sentir pronto para começar. O que você faz hoje já é o início de quem você vai ser amanhã.
Então respire fundo, escolha uma direção e vá. Porque a melhor versão de você não é um sonho distante. Ela é uma construção diária.
E começa agora.
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Um abraço e até o nosso próximo encontro.
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